terça-feira, 10 de abril de 2012

MENINGITE MENINGOCÓCICA- TENDÊNCIAS EPIDÊMICAS E PREVENÇÃO POR VACINAS

MENINGITE MENINGOCÓCICA- TENDÊNCIAS EPIDÊMICAS E PREVENÇÃO POR VACINAS.


Imprimir     Enviar por e-mail
A Meningite Meningocócica é uma forma de meningite causada por uma bactéria – Neisseria meningitidis ou meningococo. Causa uma infecção grave das meninges, membranas que recobrem o cérebro e a medula.
Esta bactéria é a única com potencial para causar grandes epidemias. Doze sorogrupos de meningococos foram identificados, dos quais 6 podem causar epidemia. São eles: A, B, C, W135, X e Y.
A distribuição geográfica e o potencial epidêmico diferem de acordo com o sorogrupo.
Tendências epidêmicas
A meningite meningocócica ocorre em aglomerados espalhados no mundo com variações sazonais.
A mais alta carga de doença meningocócica ocorre na área subsaariana da África conhecida como o “cinturão africano de meningite” que vai do Senegal no oeste até a Etiópia no leste. Durante a estação seca, de dezembro a junho, ventos, noites frias e infecção do trato respiratório alto combinado com dano da mucosa nasal, aumentam o risco de doença meningocócica. Ao mesmo tempo a transmissão do meningococo pode ser facilitada pela superlotação nas casas e por grandes deslocamentos devido a peregrinos e mercados tradicionais. A combinação destes fatores explica a grande epidemia que ocorre durante a estação seca no “cinturão da meningite” que constitui uma enorme carga em saúde pública.
De 1º de janeiro a 11 de março de 2012, foram notificadas 6.685 casos suspeitos com 639 óbitos em países da África que fazem parte do chamado Cinturão Africano de Meningite: Benin, Burkina Faso, Chad, Côte d’Ivoire (África Sub Saariana). A maioria dos surtos foi causada pelo sorogrupo W135, diferente do que sempre ocorria nesta região onde o sorogrupo A tem sido, há muito tempo, o sorogrupo predominante. Apenas o Chad apresenta ainda predomínio do sorogrupo A.
O “Grupo Coordenador Internacional (ICG) de Provisão de Vacina para controle da Meningite” já tomou providências para vacinação em massa destas áreas acometidas.
No Brasil, tivemos nos últimos anos da década de 80 e durante quase toda a década de 90, um curso epidêmico da doença com predomínio claro do meningococo B, entremeado em 94 e 95 por surtos epidêmicos do meningococo C em adolescentes e adultos jovens. Desde o final da década de 90 e durante os anos 2000, a meningite meningocócica tem se mostrado endêmica, havendo nos últimos anos um franco predomínio do sorogrupo C. O sorogrupo A não tem sido identificado.
PREVENÇÃO – existem 3 tipos de vacinas:
1-Vacinas polissacarídicas- usadas há mais de 30 anos:
– Bivalente para os grupos A e C- utilizada na década de 70 quando ocorreu importante epidemia no Brasil pelo meningococo A.
– Trivalente – para A,C e W
– Tetravalente para A,C, Y, W135
2- Vacinas para o sorogrupo B- Usadas principalmente em Cuba, Nova Zelândia e Noruega.
Utilizam proteínas da membrana externa e cepas específicas para controlar epidemias específicas. Novas vacinas para o sorogrupo B estão em avançados estágios de desenvolvimento.
3- Vacinas conjugadas:
• Vacina conjugada contra o sorogrupo C- tem sido disponível desde 1999 e amplamente usada, principalmente na Europa e nas Américas.
• Vacina tetravalente A,C,Y e W135 – vacina conjugada, licenciada desde 2005 para uso em crianças e adultos no Canadá, EUA e Europa. Licenciada para uso no Brasil a partir de 2011. Tem grande utilidade para viajantes que se deslocam para áreas endêmicas e epidêmicas.
• Nova vacina meningocócica A, conjugada – Em dezembro de 2010 foi introduzida em Burkina Faso e em algumas regiões de Mali e Niger. Subseqüentemente estes países notificaram os mais baixos números de meningite A como nunca houve numa estação epidêmica.
Outros países do cinturão africano – Cameroon, Chad e Nigéria introduziram esta vacina em 2011 em regiões selecionadas.
Vantagens das vacinas conjugadas sobre as vacinas polissacarídicas:
- induzem resposta imune mais alta e mais sustentável.
- reduzem a taxa de portador na garganta e com isso a transmissão.
-conferem proteção duradoura não somente para os vacinados, mas também para os membros da família e outros.
-são efetivas em proteger crianças abaixo de 2 anos de idade que não respondem às vacinas polissacarídicas.
Com a introdução da vacina conjugada A nos países do cinturão africano, a OMS promove em conjunto uma estratégia combinada de “preparação epidêmica, prevenção e resposta”, mas que deve ser adotada em todos os locais de ocorrência de epidemias.
Preparação- com foco na vigilância, desde detecção do caso até investigação e confirmação laboratorial.
Prevenção – vacinar todas as pessoas suscetíveis; no caso dos países africanos seriam as de 1 a 29 anos.
Resposta epidemiológica- consiste no manejo imediato do caso com uso de antibióticos e vacinação em massa da população.
Fonte: WHO- Me

GRIPE-A MELHOR PROTEÇÃO É A VACINAÇÃO

GRIPE-A MELHOR PROTEÇÃO É A VACINAÇÃO


Imprimir     Enviar por e-mail
A Gripe é uma doença respiratória causada pelos vírus influenza. Pode causar doença leve, moderada ou grave. Possui sazonalidade, ocorrendo mais nos meses de inverno.
O vírus da influenza apresenta vários subtipos diferentes que circulam a cada ano em vários lugares do mundo produzindo a gripe ou influenza sazonal.
O quadro clínico é característico: sintomas respiratórios (dor de garganta, tosse, coriza) e febre. A evolução geralmente é para a cura. Nos chamados grupos de risco – idosos, crianças com menos de 2 anos, gestantes e imunodeprimidos- pode ocorrer complicação; a mais freqüente é a pneumonia que eventualmente pode causar um quadro muito grave com insuficiência respiratória, podendo levar à morte.
Em 2009, um novo e diferente vírus, produzido por mutação em suínos – A /H1N1 - disseminou-se no mundo causando uma gripe pandêmica com casos graves em pessoas jovens, gestantes e menores de 2 anos.
Após vacinação de massa no mundo com uma vacina específica para o A /H1N1, houve uma drástica redução do número de casos e em agosto de 2010, a Organização Mundial da Saúde declarou o fim da pandemia, porém este vírus continua circulando em alguns países. (Ver neste site, página inicial: “influenza-atualização global”)

Vacina da gripe
A vacina contra a gripe é uma vacina inativada e atualmente recomendada para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade (universalização da vacina), incluindo pessoas saudáveis e com condições médicas crônicas. Esta decisão está baseada na certeza de que a vacina contra a Influenza é segura e eficaz, com potencial benefício para todas as idades.
O ACIP (Comitê Assessor em Práticas de Imunização/VDC/US), através de pesquisa internacional, define anualmente quais tipos e cepas do vírus influenza estão circulando predominantemente em cada hemisfério, definindo assim a formulação da vacina para cada ano e hemisfério.

Composição da vacina para o hemisfério sul, estação 2012:
. vírus A/ California/7/2009 (H1N1)
. vírus A/ Perth/16/2009 (H3N2)
. vírus B/ Brisbane/60/2008

Quando receber a vacina
A vacinação deve ser feita prioritariamente antes do inverno. No hemisfério sul, deve iniciar em março (ou tão logo a vacina atualizada esteja disponível) e deve continuar durante toda a estação, cuja duração é variável.

Quem deve ser vacinado
A vacina é atualmente recomendada para toda pessoa a partir de 6 meses de idade. É especialmente importante para os grupos que apresentam alto risco de desenvolver complicações graves. São eles:
< Mulheres grávidas
< Crianças menores de 5 anos, em especial as menores de 2 anos
< Pessoas de 60 anos ou mais
< Pessoas de qualquer idade com certas condições médicas crônicas
< Pessoas que vivem em abrigos
< Pessoas que convivem ou cuidam dos grupos considerados de alta prioridade para vacinação, incluindo: profissionais de saúde e educação, contatos familiares de pessoas de alto risco, familiares ou cuidadores de creche que lidam com crianças com menos de 6 meses de idade.

Quem não deve ser vacinado
< Pessoa com alergia grave a ovo de galinha.
< Pessoa que tenha tido reação grave à vacina da influenza numa aplicação anterior.
< Crianças menores de seis meses de idade.
< Pessoa que desenvolveu Síndrome de Guillain-Barré dentro de 6 semanas após a aplicação de uma dose anterior da vacina.
< Pessoas com doença moderada ou grave com febre - devem adiar a vacinação até que estejam recuperadas.

Eventos adversos
Os vírus que compõem a vacina estão mortos (inativados), portanto a pessoa que recebe a vacina não tem a possibilidade de desenvolver Gripe.
As reações mais comuns são:
< Dor, edema e vermelhidão no local da aplicação
< Febre baixa ou moderada
< Dores musculares
Estes eventos podem ocorrer logo após a aplicação da vacina e geralmente duram 1 a 2 dias, com resolução espontânea.
Encontra-se disponível em todas as unidades da rede Prophylaxis, desde 15 de março, a vacina para a estação da gripe de 2012. Todas as pessoas, a partir de 6 meses de idade, devem receber a vacina anualmente.

Medidas preventivas:
-Higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool gel, principalmente depois de tossir ou espirrar, depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, a boca e o nariz
– Evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies potencialmente contaminadas, como corrimãos, maçanetas, etc.
– Evitar proteger a tosse e o espirro com as mãos utilizando preferencialmente lenço de papel descartável.
- Pessoas com síndrome gripal devem evitar contato direto com outras pessoas, aglomerações e ambientes coletivos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

VACINAS DO DENGUE – A GRANDE ESPERANÇA

A incidência do dengue e da febre hemorrágica do dengue tem aumentado significativamente nestas últimas décadas. No mundo, anualmente são estimados 50 a 100 milhões de casos de Febre do Dengue (Dengue clássico) e cerca de 250.000 a 500.00 casos de Febre Hemorrágica do Dengue ou Dengue Grave.

A situação epidemiológica da América Latina agora se assemelha a do Sudeste Asiático.

A co-circulação de vários tipos de dengue tem sido relatada por vários países. Nas Américas, o dengue hemorrágico ou dengue grave tem sido observado em crianças e adultos; a infecção secundária por um vírus de sorotipo diferente tem sido confirmada como um importante fator de risco para a forma grave da doença.

O único método disponível atualmente para prevenir o dengue é o controle do mosquito transmissor (Aedes aegypti). Este método provou ser caro e na maioria das vezes não produz o resultado esperado.

As vacinas do dengue são a principal esperança de um método realmente eficiente para o controle desta doença. Devem assegurar proteção sólida e duradoura para os quatro tipos de vírus de dengue, em países endêmicos.

O dengue não recebe alta prioridade da comunidade global de saúde apesar de receber altíssima prioridade nos países endêmicos. Existe uma grande necessidade de medidas de apoio e de comunicação para que os países em desenvolvimento recebam um suporte necessário à introdução das vacinas de dengue com sucesso.

PLANEJAMENTO PARA INTRODUÇÃO DE UMA VACINA DO DENGUE

Pela primeira vez um planejamento estratégico para a introdução de uma vacina para países em desenvolvimento está sendo realizado antes da conclusão dos ensaios clínicos e do licenciamento da vacina.

Duas reuniões importantes ocorreram em 2011 visando este planejamento: uma em abril na Ásia (Hanoi) e a segunda em agosto na América do Sul (Brasília).

A reunião em Brasília foi organizada pelo Conselho de Prevenção de Dengue das Américas e contou com a participação de “Iniciativa de Vacinas do Dengue” (DVI), que é um consórcio que inclui:

– Instituto Internacional de Vacinas (IVI)

– Centro Internacional de Acesso a Vacinas (IVAC), da Universidade John Hopkins

– Instituto de Vacinas Sabin

– Iniciativa de Pesquisas em Vacinas, da OMS

e mais: 60 participantes, incluindo representantes do Ministério da Saúde de 12 países da América do Sul e Central, organizações intergovernamentais, academia, indústria farmacêutica e sociedade civil.

A reunião teve o objetivo de apoiar a preparação de investimentos específicos em países destas regiões para introdução das vacinas de dengue e visava em particular o Brasil e a Colômbia, que poderão fornecer informação para os outros países da região.

Dados mostraram que em 2010, 1,7 milhões de casos foram notificados nas Américas, com 50.000 casos de doença grave, dos quais, aproximadamente 60% ocorreram no Brasil.

Com o incentivo da DVI, o Ministério da Saúde está elaborando um plano estratégico para introdução da vacina; um grupo assessor está olhando para as necessidades pré licença ou pós licença sob a perspectiva do Ministério.

Nesta reunião, os pesquisadores e fabricantes de seis vacinas candidatas apresentaram o status de seus produtos. Enquanto cinco ainda estão na fase I dos estudos (desenvolvimento pré-clínico), a sexta vacina, tetravalente da Sanofi Pasteur, com genes dos vírus do dengue em uma plataforma do vírus da febre amarela, já está na fase III dos estudos (testes clínicos com humanos) e continua a ser uma grande promessa. A expectativa é ela ser licenciada em 2015.

A vacina tetravalente (TV), candidata do laboratório Sanofi Pasteur, é composta de 4 vacinas vivas inativadas recombinantes, baseadas na plataforma da vacina da febre amarela 17 D, cada uma expressando a constituição de genes de um dos quatro sorotipos.

Estudos pré-clínicos demonstraram que a vacina tetravalente é geneticamente e fenotipicamente estável, não hepatotrópica, menos neurovirulenta que a vacina da febre amarela e não infecta mosquitos pela via oral. Estudos mostraram que a maioria dos eventos adversos foi de leve a moderado e transitório.

Concluindo, resultados pré-clínicos e clínicos sustentam a imunogenicidade favorável e a segurança da vacina tetravalente. O desenvolvimento de um extenso programa clínico para a vacina de dengue tetravalente está em andamento e inclui a participação de 4.000 crianças de 4 a 11 anos num estudo de eficácia na Tailândia, numa área de alta incidência de dengue.

Foram discutidas amplamente a capacidade de produção dos fabricantes, as possibilidades de exportação, a pré-qualificação pela OMS, as estratégias de vacinação segura, assim como os planos de pré-licenciamento e pós- licenciamento e os numerosos desafios que permanecem.

Medidas de apoio são vitais para mudar percepções, criando demanda e influenciando políticas. É importante criar uma aproximação com o público em geral, com profissionais de saúde e com a mídia.

Fonte: -Planning for the Introduction of Dengue Vaccines: Meeting report of the Americas Dengue Prevention Board´-Highlights (15´02´20120).

-Developmente of Sanofi Pasteur Tetravalent Dengue Vaccines- Guy B. Saville M, Lang J.- Hum. Vaccin.2010.Sep. 16;6 (9)

-The future of Dengue vaccines- Halstead SB, Deem. The Lancet,2002,Oct 19; 1243-5














quinta-feira, 1 de março de 2012

INFLUENZA – ATUALIZAÇÃO GLOBAL

A OMS (Organização Mundial de Saúde) publicou uma atualização global da incidência da influenza, baseada na notificação dos Centros Nacionais de Influenza e dos laboratórios de 85 países, que incluem as semanas 4 e 5 de 2012 (22 de janeiro a 4 de fevereiro).

Foram testadas 41.423 amostras de casos com síndrome gripal. Destas, 7.382 foram positivas para influenza, distribuídas como se vê a seguir:

5.693 (77,1%) – influenza A

1.689 (22,9%) – influenza B

Das amostras positivas para influenza A:

3.327 (76,9%) – A (H3N2)

995 (23%) – A (H1N1)

Das amostras positivas para influenza B:

106 (33%) – B- linhagem Yamagata

215 (67%) – B- Victoria



Hemisfério Norte- Nas semanas 4 e 5, os casos confirmados laboratorialmente mostraram aumento de atividade de influenza em muitos países. O subtipo predominante continua sendo o A (H3N2). .No geral, a atividade do A (H1N1) é baixa, exceto no México onde o A (H1N1) continua predominando. Em alguns países asiáticos, onde influenza B continua predominando, foram isolados 2 tipos: B Victoria e B linhagem Yamagata.

Nos países da Europa, Oriente Médio, África do Norte e América do Norte a atividade do influenza A(H3N2) aumentou.

Na Ásia, o A (H3N2) e o B continuam aumentando, com predomínio do B na China (89%) e em Hong Kong e o H3N2 no Japão, com número grande de casos. Na Coréia e em alguns outros países o Influenza A(H1N1) tem sido detectado, porém, com baixa atividade. Na China ocorreu um caso recente de influenza aviária (H5N1) em uma criança.

No Hemisfério Sul a atividade permanece baixa havendo o predomínio do A (H3N2).Aproximadamente todos os vírus influenza A circulantes estão contidos na vacina do hemisfério norte, cuja formulação é semelhante a do hemisfério sul. Dos poucos vírus B circulantes, uma parte pertence à linhagem Yamagata que não está incluída na vacina atual.

Países tropicais da América: Influenza A(H1N1) foi o vírus mais detectado na Colombia e Equador. H3N2 é o mais comum detectado na Costa Rica.

Na Ásia subsaariana e na Ásia tropical têm ocorrido somente detecções esporádicas.

No Brasil ocorreu recentemente (17/02/12) um óbito de uma tripulante do navio MSC Armonia conseqüente a infecção respiratória aguda que evoluiu com insuficiência respiratória aguda durante a internação em unidade de terapia intensiva, em Santos. Após investigação, verificou-se que existiam mais 13 casos entre passageiros e tripulantes com síndrome gripal- 12 foram internados para observação e exames complementares. Em 20 de fevereiro, análise de 7 amostras no Instituto Adolfo Lutz(SES/SP) – PCR de secreção respiratória – identificou o vírus influenza B no caso índice e em mais 6 passageiros, concluindo-se tratar de um surto de influenza B. Os casos evoluíram sem complicações com cura espontânea em 7 dias, como costuma ser o padrão da síndrome gripal pelo influenza B. Este vírus ocorre com menor freqüência que o tipo A, circula o ano todo e pode causar surtos e epidemias mais localizadas. Raros casos podem evoluir para insuficiência respiratória, pneumonia, septicemia e óbito. Gestantes e pessoas com doença de base têm maior risco.

A embarcação tem mantido informação diária dos casos, tendo relatado a ocorrência de 9 casos suspeitos ao chegar ao Uruguai e 7 casos suspeitos ao chegar a Argentina. Todos estes casos evoluíram sem complicações.

A Secretaria de Saúde de São Paulo em conjunto com a ANVISA e com a Vigilância epidemiológica do Município de Santos manterão o monitoramento para identificar casos ou surtos que porventura possam ocorrer.

Esta ocorrência mostra a importância de se manter a população vacinada contra influenza, um vírus altamente transmissível e com a intensa mobilização de pessoas através de viagens aumenta o risco de ocorrerem surtos e epidemias.

A vacina a ser usada agora na estação da gripe do hemisfério sul (inverno), tem a mesma formulação do que a que está sendo utilizada atualmente no hemisfério Norte e possui 2 vírus A e um B.

A partir de março, nas unidades Prophylaxis, estará disponível a vacina que é recomendada para todas as pessoas acima de 6 meses de idade.

Esquema de aplicação:

– 6 meses a 2 anos completos– 2 doses de 0,25 ml com intervalo de 1 mês entre as doses.

– 3 a 8 anos completos- 2 doses de 0,50 ml

-Acima de 9 anos – 1 dose de 0,50 ml

Fonte: WHO- Influenza update- 3/2/2012

Ministério da Saúde – Surto de influenza B no Navio de Cruzeiro MSC Armonia- 28/2/2012



Edit Comments are closed.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Férias X Viagem segura

Dezembro e janeiro são os meses de férias escolares. Pais pedem férias no trabalho para coincidir com as férias dos filhos e poderem viajar com a família. É cada vez maior o número de pessoas que viajam para fora do país e também para diferentes estados do Brasil. O ecoturismo continua crescendo no país e é escolha freqüente não só da população jovem, que sai com a mochila nas costas, mas, também de pessoas de mais idade que vão, por exemplo, fazer pescarias no Amazonas ou no Pantanal.


Países do primeiro mundo como os da Europa e Estados Unidos, que dão para o viajante a impressão de serem seguros, têm apresentado nestes dois últimos anos importantes epidemias de doenças preveníveis por vacinas como sarampo, coqueluche, gripe.

O viajante deve ter em mente que para ter uma viagem segura e prazerosa ele deve buscar informações sobre o local (ou locais) do destino e tomar conhecimento dos riscos para que ele possa se proteger. Os elementos-chave mais importantes para determinar o risco estão relacionados com: destino da viagem, tipo de hospedagem, saneamento básico, manipulação adequada dos alimentos, duração da viagem, estação do ano, comportamento e estilo de vida do viajante.

Os países a serem visitados podem ter características muito diferentes do país de origem do viajante, tais como, temperaturas extremas, grandes altitudes, ambientes de florestas e matas, saneamento deficiente e diferentes micro organismos – vírus e bactérias.etc. Além disso, os países passam, em determinados períodos, por epidemias de doenças infecciosas que na maioria das vezes podem ser prevenidas por vacinas.

Ao procurar um serviço de Medicina de Viagem para orientação, muitos riscos podem ser evitados ou minimizados se algumas precauções forem tomadas antes e durante a viagem.

Principais cuidados:

1 - VACINAS:

Não existe um esquema simples para imunização dos viajantes. Cada esquema deve ser personalizado e adequado de acordo com a história de vacinação, com os países a serem visitados, com o tipo e duração da viagem e com o tempo disponível antes da viagem.

Em primeiro lugar, a pessoa que viaja deve estar com seu esquema vacinal de rotina atualizado:
vacinas habituais, como a tríplice bacteriana (tétano,difteria,coqueluche), tríplice viral (sarampo,rubéola, caxumba), hepatite B, influenza, varicela, devem ser checadas e se necessário atualizadas.

A única vacina obrigatória internacionalmente é a da Febre Amarela, porém nem todos os países a exigem. O comprovante da vacina deve ser levado à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) onde é emitido o Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela. No Rio de Janeiro, o posto da ANVISA situa-se no Aeroporto Antonio Carlos Jobim (Galeão) e funciona 24 horas.

De grande importância são as vacinas recomendadas de acordo com o destino da viagem: febre tifóide, hepatite A, cólera, poliomielite, meningite, raiva.

Novas vacinas como a quádrupla conjugada contra meningite (A,C,W135e Y) e a quádrupla contra difteria, tétano, coqueluche (acelular adulto) e poliomielite inativada, já comercializadas no Brasil, são extremamente úteis para pessoas que viajam para locais onde a meningite e a poliomielite são endêmicas ou epidêmicas.

As férias escolares no Brasil coincidem com a estação de inverno no Hemisfério Norte, que também é a estação da Influenza (gripe). É importante estar vacinado contra gripe.

- DOENÇAS TRANSMITIDAS POR INSETOS – Malária, Febre Amarela, Dengue, Febre Maculosa, etc.
Para a malária, doença grave, não existe vacina. Dependendo do tempo que o viajante vai permanecer no local de risco, das condições de alojamento (hotel com ar condicionado, acampamento, casa de família, etc.), se vai ficar em área urbana ou rural, do tipo de atividade, pode ser necessário o uso de medicamento profilático durante a viagem. (www.prophylaxis.com.br- serviço de medicina de viagem-artigo-“Malária”).

Muito importantes são as orientações sobre como se proteger de picadas de insetos que transmitem doenças como a febre amarela, malária, dengue e outras, conhecendo o uso de repelentes apropriados, roupas adequadas, mosqueteiros e outros cuidados.

- DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS - Igualmente importantes são os cuidados com: alimentos, água de consumo e hábitos de higiene pessoal, evitando assim a famosa “diarréia dos viajantes”, a hepatite A e outras doenças transmitidas por água e alimentos contaminados.
Procure um Serviço de Medicina de Viagem que vai orientar o viajante em relação a cuidados para qualquer local de destino, permitindo assim uma viagem de férias sem transtornos.

Consulte neste blog matéria mais antiga sobre "Viagem segura com crianças"

domingo, 20 de novembro de 2011

E eu doutor, que vacina devo tomar?

Com certa freqüência, os noticiários mostram doenças infecciosas que se consideravam próprias da infância acometendo adultos, muitas vezes com gravidade e até levando ao óbito. A maioria destas doenças é prevenível por vacinas.

Muito raramente os médicos que atendem adultos perguntam pelo estado vacinal do seu paciente ou indicam aplicação de vacinas.

Algumas vacinas necessitam ser repetidas em intervalos regulares, como as do tétano e da difteria, que com o tempo vão perdendo a capacidade de proteção e a cada 10 anos devem ser renovadas.

É comum o adulto ter dúvidas se teve a doença, ou se tomou a vacina. Cadernetas de vacinação geralmente são perdidas e não existe no seu prontuário médico, ao contrário do prontuário da criança, qualquer informação sobre vacinas.

Doenças, como o sarampo, têm atingido países do primeiro mundo e contaminado adultos não vacinados que viajam e trazem o risco da reintrodução do vírus, que no Brasil já está sendo considerado eliminado.

A coqueluche tem feito vítimas fatais em crianças muito pequenas ainda não vacinadas ou com vacinação incompleta e estudos mostram que a transmissão para estas crianças se dá principalmente por intermédio de pais, irmãos adolescentes, avôs e babás.

A Hepatite B, depois de muitas campanhas gerenciadas pelo Ministério da Saúde apontando a transmissão sexual, talvez seja a vacina que mais os adultos informam terem recebido. Também foi realizada no Brasil, em 2007, a campanha de vacinação contra a rubéola para o adulto jovem que apesar de grande resistência, alcançou muito boa cobertura, mas dificilmente este jovem guarda consigo o comprovante ou sabe informar qual vacina tomou.

A vacina da gripe e a vacina tríplice bacteriana acelular do adulto, dTap (difteria, tétano e coqueluche) tem importante recomendação para mulheres grávidas.

O Brasil, devido à cobertura vacinal obtida com a “campanha nacional de vacinação contra influenza”, passou pela estação da gripe (inverno) sem maiores problemas, enquanto que no hemisfério norte (EUA e Europa), onde a cobertura foi baixa, ocorreu no inverno de 2010/2011 epidemia de influenza com casos graves e óbitos, principalmente em gestantes, crianças pequenas e adultos jovens.

Esperamos atingir um tempo em que o médico clínico internalize a necessidade de deter o conhecimento sobre vacinas e de proteger os seus pacientes com a simples indicação de uma vacina.

Investimentos baseados em informação e divulgação para o público adulto sobre a necessidade e a importância das vacinas para esta faixa etária, talvez possa mudar este quadro invertendo o paradigma, quando o paciente surpreenderá seu médico com a pergunta: Doutor qual é a vacina que devo tomar hoje?

domingo, 16 de outubro de 2011

COQUELUCHE, UMA DOENÇA REEMERGENTE- NOVAS RECOMENDAÇÕES

Atualmente a coqueluche tem sido considerada uma doença reemergente. Em alguns países desenvolvidos, com alta cobertura vacinal, a doença tem ressurgido. Há relatos de aumento de incidência especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Na França, estudos recentes evidenciaram casos de coqueluche em crianças cujas fontes de infecção foram pais, irmãos adolescentes, avós e babás. Na Califórnia, em 2010, ocorreu epidemia com 9.100 casos e 11 óbitos em bebês.

A vacina utilizada para prevenir a coqueluche é a "tríplice bacteriana" que além de proteger contra a coqueluche também protege contra tétano e difteria. Em 1973, com a instituição do PNI (ProgramaNacional de Imunização), quando esta vacina passou a ser preconizada para crianças menores de 7 anos, houve um declínio da incidência da coqueluche, com queda acentuada principalmente a partir de 1983. Após a introdução da vacina tríplice bacteriana acelular de teor reduzido ela passou a ser indicada para adolescentes entre 11 a 12 anos e adultos.

A faixa etária de maior risco é a de menores de 1 ano. A letalidade também é mais elevada neste grupo etário, principalmente nos menores de 6 meses.

Com o aumento da incidência indicando uma reemergencia da doença, fato este também observado no Brasil (dados do SINAN/MS: 427 casos em 2010- 80% em menores de 1 ano), houve uma reunião do Comitê Assessor de Práticas de Imunização do CDC(ACIP) com a Academia Americana de Pediatria em 27 de setembro de 2011 para revisão das recomendações.

Novas recomendações sobre a vacina tríplice bacteriana acelular uso adulto (dTap)

Em 27 de setembro de 2011 o Comitê Assessor de Práticas de Imunização do CDC (ACIP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) fizeram uma revisão de suas recomendações sobre o uso da vacina tríplice bacteriana acelular do adolescente e do adulto (dTap).
O “Grupo de Pertussis do ACIP” baseou estas recomendações em estudos publicados sobre a imunogenicidade e segurança da vacina, em ensaios sobre a vacina e em experiências clínicas. Também revisaram a epidemiologia atual do Pertussis.

Principais recomendações:
1- Baseado na revisão do comitê de ensaios clínicos e outros estudos que não citam excesso de reações adversas quando a dTpa é aplicada num período curto após a aplicação do toxóide tetânico e diftérico, a recomendação é “não existir mais intervalo mínimo entre a administração da dupla adulto-dT- (difteria/tétano) e a dTap”.

2- Para proteger pessoas suscetíveis ao pertussis, a AAP e o CDC recomendam “uma simples dose de dTap para crianças entre 7 a 10 anos que são subimunizadas”, isto é, que não receberam a série total recomendada de DTaP ou DTP antes dos 7 anos ou que têm uma história vacinal incompleta ou desconhecida.

3- “Mulheres grávidas de qualquer idade devem receber dTap”, pois a mãe fica protegida desenvolvendo anticorpos que serão transferidos para o bebê.

4- A idade de recomendação para a dTap é agora “extendida para pessoas de 65 anos ou mais que têm contato com crianças menores de 12 meses”, como avós, cuidadores, etc.

5- Continua a recomendação para “vacinação de adolescentes, inclusive adolescentes grávidas”. A dose do adolescente deve preferencialmente ser dada entre 11 a 12 anos”.

6- “Uma simples dose de dTap deve ser dada para adultos de qualquer idade que não tenham recebido dTap previamente”.

Esquema padrão da vacina tríplice bacteriana:
- 2, 4 e 6 meses
- 1º reforço- de 15 a 18 meses.
- 2º reforço – 4 a 6 anos
- dTap – 11-12 anos
A dTap agora está aprovada para crianças de 7 a 10 anos  subimunizadas.
Está também sendo estendida a faixa etária para pessoas de 65 anos e mais e trabalhadores de saúde de todas as idades.
Com a instituição dos programas de vacinação, a incidência diminuiu muito, ocorrendo uma redução de mais de 90%. Ainda assim, a doença permanece endêmica com picos epidêmicos a cada 3 a 5 anos.

Atenção! A eficácia da vacina é de 80 a 85% após 3 doses. Com uma ou 2 doses, a eficácia é mais baixa. É importante que pais de crianças ou todos que vivem com as crianças estejam protegidos para pertussis.